domingo, 27 de março de 2011

Governantes recuam:

Usina no Nordeste 

O acidente nuclear ocorrido há duas semanas na Usina de Fukushima, no Japão, voltou a colocar em pauta, em todo o mundo, a segurança das usinas nucleares. E, no Brasil, alguns governadores do Nordeste decidiram reavaliar se região deve receber uma das quatro novas usinas que o governo federal pretende construir no país até 2030.
“Quem é que vai, em meio à atual discussão, [dizer] “eu quero agora uma usina nuclear para o meu estado”. Só se for idiota. E eu não sou idiota”, disse o governador do Piauí, Wilson Martins (PSB), à Agência Brasil, ontem (23). Martins fez questão de frisar que “não recuou” da disputa com outros estados nordestinos cotados para abrigar uma das usinas, mas deixou claro que o projeto a cargo do Ministério de Minas e Energia deve ser “repensado”.
O governador de Sergipe, Marcelo Déda (PT), também já havia mencionado, em nota, a necessidade de o país rediscutir a expansão da matriz nuclear com segurança. “A pretensão do estado de Sergipe em disputar a instalação de uma usina no nosso território pressupõe garantias plenas de segurança das instalações. Sem essas garantias, não há como defender tais empreendimentos”, afirmou o governador, cuja preocupação recebeu o apoio inclusive do setor produtivo sergipano.
O Brasil tem duas usinas nucleares em operação, Angra 1 e Angra 2, ambas administradas pela Eletronuclear, subsidiária da Eletrobras. Angra 3 está em fase de construção. Ontem, quando perguntado se o governo brasileiro pode desistir de construir as quatro novas usinas, o presidente da Eletrobras, João da Costa Carvalho Neto, disse apenas que a decisão cabe ao Conselho Nacional de Política Energética e à Presidência da República.

Reportagem de Alex Rodrigues, da Agência Brasil, publicada pelo EcoDebate, 24/03/2011

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